domingo, 10 de março de 2013

MÉDICOS VERSUS PLANOS DE SAÚDE (Drauzio Varella)

MÉDICOS VERSUS PLANOS DE SAÚDE
Drauzio Varella


Médicos que vivem da clínica particular são aves raríssimas. Mais de 97% prestam serviços aos planos de saúde e recebem de R$ 8 a R$ 32 por consulta. Em média, R$ 20.

Os responsáveis pelos planos de saúde alegam que os avanços tecnológicos encarecem a assistência médica de tal forma que fica impossível aumentar a remuneração sem repassar os custos para os usuários já sobrecarregados. Os sindicatos e os conselhos de medicina desconfiam seriamente de tal justificativa, uma vez que as empresas não lhes permitem acesso às planilhas de custos.

Tempos atrás, a Fipe realizou um levantamento do custo de um consultório-padrão, alugado por R$ 750 num prédio cujo condomínio custasse apenas R$ 150 e que pagasse os seguintes salários: R$ 650 à atendente, R$ 600 a uma auxiliar de enfermagem, R$ 275 à faxineira e R$ 224 ao contador. Somados os encargos sociais (correspondentes a 65% dos salários), os benefícios, as contas de luz, água, gás e telefone, impostos e taxas da prefeitura, gastos com a conservação do imóvel, material de consumo, custos operacionais e aqueles necessários para a realização da atividade profissional, esse consultório-padrão exigiria R$ 5.179,62 por mês para sua manutenção.

Voltemos às consultas, razão de existirem os consultórios médicos. Em princípio, cada consulta pode gerar de zero a um ou mais retornos para trazer os resultados dos exames pedidos. Os técnicos calculam que 50% a 60% das consultas médicas geram retornos pelos quais os convênios e planos de saúde não desembolsam um centavo sequer.

Façamos a conta: a R$ 20 em média por consulta, para cobrir os R$ 5.179,62 é preciso atender 258 pessoas por mês. Como cerca de metade delas retorna com os resultados, serão necessários: 258 + 129 = 387 atendimentos mensais unicamente para cobrir as despesas obrigatórias. Como o número médio de dias úteis é de 21,5 por mês, entre consultas e retornos deverão ser atendidas 18 pessoas por dia!

Se ele pretender ganhar R$ 5.000 por mês (dos quais serão descontados R$ 1.402 de impostos) para compensar os seis anos de curso universitário em tempo integral pago pela maioria que não tem acesso às universidades públicas, os quatro anos de residência e a necessidade de atualização permanente, precisará atender 36 clientes todos os dias, de segunda a sexta-feira. Ou seja, a média de 4,5 por hora, num dia de oito horas ininterruptas.

Por isso, os usuários dos planos de saúde se queixam: “Os médicos não examinam mais a gente”; “O médico nem olhou a minha cara, ficou de cabeça baixa preenchendo o pedido de exames enquanto eu falava”; “Minha consulta durou cinco minutos”.

É possível exercer a profissão com competência nessa velocidade? Com a experiência de quem atende doentes há quase 40 anos, posso garantir-lhes que não é. O bom exercício da medicina exige, além do exame físico cuidadoso, observação acurada, atenção à história da moléstia, à descrição dos sintomas, aos fatores de melhora e piora, uma análise, ainda que sumária, das condições de vida e da personalidade do paciente. Levando em conta, ainda, que os seres humanos costumam ser pouco objetivos ao relatar seus males, cabe ao profissional orientá-los a fazê-lo com mais precisão para não omitir detalhes fundamentais. A probabilidade de cometer erros graves aumenta perigosamente quando avaliamos quadros clínicos complexos entre dez e 15 minutos.

O que os empresários dos planos de saúde parecem não enxergar é que, embora consigam mão-de-obra barata – graças à proliferação de faculdades de medicina que privilegiou números em detrimento da qualidade -, acabam perdendo dinheiro ao pagar honorários tão insignificantes: médicos que não dispõem de tempo a “perder” com as queixas e o exame físico dos pacientes, pedem exames desnecessários. Tossiu? Raios X de tórax. O resultado veio normal? Tomografia computadorizada. É mais rápido do que considerar as características do quadro, dar explicações detalhadas e observar a evolução. E tem boa chance de deixar o doente com a impressão de que está sendo cuidado.

A economia no preço da consulta resulta em contas astronômicas pagas aos hospitais, onde vão parar os pacientes por falta de diagnóstico precoce, aos laboratórios e serviços de radiologia, cujas redes se expandem a olhos vistos pelas cidades brasileiras. Por essa razão, os concursos para residência de especialidades que realizam procedimentos e exames subsidiários estão cada vez mais concorridos, enquanto os de clínica e cirurgia são desprestigiados.

Aos médicos, que atendem a troco de tão pouco, só resta a alternativa de explicar à população que é tarefa impossível trabalhar nessas condições e pedir descredenciamento em massa dos planos que oferecem remuneração vil. É mais respeitoso com a medicina procurar outros meios de ganhar a vida do que universalizar o cinismo injustificável do “eles fingem que pagam, a gente finge que atende”.

O usuário, ao contratar um plano de saúde, deve sempre perguntar quanto receberão por consulta os profissionais cujos nomes constam da lista de conveniados. Longe de mim desmerecer qualquer tipo de trabalho, mas eu teria medo de ser atendido por um médico que vai receber bem menos do que um encanador cobra para desentupir o banheiro da minha casa. Sinceramente.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Demokratia

Demo cracia é poder ao povo. Neste final de semana, irão explodir várias manifestações em todos os estados em repúdio à nomeação do Pastor Feliciano e também contra Renan Calheiros. Agora, vocês sabem o que eles - deputados e senadores - farão? Em sua maioria, nada. Por quê? Fisiologismo político - de uma forma mais clara: estão interessados no poder que lhes foi concedido em nome do povo, e não no povo em si, e, para isso, se submetem a alianças e ações escusas e antiéticas, como por exemplo eleger e manter um deputado claramente homofóbico e racista na comissão de Direitos Humanos.

Para combater isso, nasceu a #rede, que traz um debate programático, que acolha as minorias e a maioria também, buscando uma reflexão e consciência melhor e maior de sociedade. E, diga-se de passagem, ética e direitos humanos são questões que não se submetem ao voto - são, na verdade, princípios mínimos exigidos em uma sociedade democrática e, portanto, em seus representantes políticos.

Engraçado que, para muitos, democracia é simplesmente sinônimo de "governo da maioria" "decidido pelo voto" etc, mas o povo é povo, com suas diferenças, com suas identidades próprias e - dentro dessa diversidade - ainda assim é Nação. Precisamos assumir essa postura no Brasil, um País sabidamente multiétnico, multicultural, que abriga diversas religiões, permite o desenvolvimento de diferentes sexualidades. Democracia mesmo será quando conseguirmos acolher todas essas demandas, desde que pautadas na justiça social.

Democracia da maioria é fascismo, e visa justamente destruir aquilo que há de bom em nós, todas essas diversidades, as quais fazem da vida em sociedade uma escola de valores e vivências para cada cidadão. O fascismo aliena e diminui o potencial de humanidade, fazendo do ser humano uma mera máquina não-pensante e acrítica.

Portanto, o que temos aí hoje não é democracia (claro, muito embora não seja um fascismo). Mas devemos compreender o que, de fato, ela é para que trabalhemos forte e constantemente por isso.

terça-feira, 5 de março de 2013

Radicalismo alheio radicaliza a si próprio.

Radicalismo alheio radicaliza a si próprio.

Eis minha autocrítica: tento estabelecer debate com quem não deseja debate, mas abate. Nesse caso, mais vale ficar quieto com seus ideais, deixando os abutres a comer carniça alheia.

Falha minha, nasci com neura por diplomacia. Espero um dia ainda vencer isso e aprender que, às vezes, o silêncio é o maior argumento de bons valores e ideais. E o trabalho - com resultados - é a maior prova de que o caminho é esse mesmo.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Meu Eu Político

Em resposta a uma pergunta no ask.fm:

qual sua história com a política? digo, como se descobriu socialista e o que faz para colocar sua ideologias em movimento?


Evidente que isso é uma construção permanente, visto que tudo começou antes mesmo de eu nascer, com minha própria mãe se envolvendo com a política na militância dos movimentos sociais.

No entanto, o estopim de meu envolvimento com a política está relatado neste link: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=394482550600369&set=a.190245621024064.43417.100001158814241&type=3&theater

Desde então, acompanhando de perto a política eleitoral, com o auxílio de meus queridos amigos Nildão e Angela, pude conhecer melhor esse meio e aumentar ainda mais meu interesse.

De 2004 a 2006, estive profundamente envolvido com o PCdoB, Partido Comunista do Brasil, fato que começou a transformar meus princípios de justiça e igualdade em algo mais sólido, fundamentado nas teorias de Marx e Engels.

Por vários motivos, principalmente minha divergência com o partido em temas como apoio incondicional ao Presidente Lula, posição sobre assuntos polêmicos, entre outros, acabei me afastando. Mas sempre mantive o carinho pela Angela e pelo Nildão - o qual, inclusive, já havia migrado para o PT.

Ainda em 2004, formei uma chapa para as eleições do Grêmio Estudantil do Educandário Imaculada Conceição e, após uma política de alianças, resolvi sair da presidência da chapa para ser o 1º secretário da vencedora, para que, assim, ganhasse experiência.

Em 2006, reativei o Grêmio Estudantil do Colégio Catarinense (Teotônio Vilela), alcançando com meus companheiros de chapa a vitória da eleição, sob o cargo de presidente.

Essas duas experiências me trouxeram muita sabedoria para os próximos passos, porque infelizmente as duas deram errado, principalmente a segunda. Eu ainda precisava evoluir muito para conseguir exercer minha liderança com certa excelência.

Em 2008, novamente prestei apoio à candidatura da Angela, que disputava dessa vez a prefeitura da Capital. Ainda nesse ano, ingressei na Ordem DeMolay, que, muito além de um clube de amigos, era uma escola de liderança e incentivadora de valores primordiais para nossos tempos.

A cada eleição, fervia no meu sangue a vontade de participar da política. Nunca foi diferente, desde 2002.

Em 2010, pude ter minha melhor experiência com a política, tomando conhecimento da figura ímpar de Marina Silva, que em tempos de predomínio populista e desenvolvimentista - legado do ex-presidente Lula -, defendeu a ética e transparência, a sustentabilidade, um novo jeito de fazer política. Fui atrás, me inteirei, fortaleci meus ideais e fiz campanha pela Marina - me tornei um sonhático, junto com seus demais apoiadores. Novamente divergi do PCdoB e da esquerda tradicional, a qual acusou a Marina de fazer o jogo da direita, impedindo a eleição em 1º turno da Dilma e, sobretudo, de Plínio, do PSOL, que acusava-a de ser ecocapitalista, a serviço dos grandes empresários. Vi isso sob o olhar do que pregava Marina, como ela chamava de "velha política", até porque ele, que se dizia comunista, detinha um patrimônio milionário - e intitulava-a de ecocapitalista! Pasmém!

Em 2011, vi com alegria nascer o Movimento pela Nova Política, que congregou não só Marina Silva, mas também outros políticos que eu admirava, como Cristóvam Buarque e Heloísa Helena. Seus princípios, expostos no Manifesto (disponível aqui: http://novapolitica.com.br/page/movimento) iam exatamente ao encontro daquilo que eu pensava e defendia na sociedade.

Em 2012, novamente apoiei Angela Albino nas eleições municipais, cuja candidatura trouxe um programa de governo ideal para Florianópolis, em todas as áreas. Infelizmente, por um infortúnio político, ela não passou do primeiro turno e foram para o segundo turno justamente as forças da situação política catarinense e florianopolitana, as forças que representavam as oligarquias regionais e a direita. Indignado, junto com outras pessoas que articulavam o voto nulo, fundei o movimento Acorda Floripa, com a intenção de mostrar a indignação que não só eu, nem só meus colegas fundadores, mas também e sobretudo os 20% de votos de abstenção e os 36% de votos que as forças da oposição - Angela e Elson - haviam ganhado. O Acorda era um espaço virtual onde era possível fazer denúncias sobre a cidade e a intenção era que se transformasse em um espaço de democracia participativa. Temos vários projetos para tocar, junto ao Acorda, mas confesso que no momento estamos um pouco parados no momento. No entanto, em meio às eleições em 2012, no segundo turno, fizemos em articulação com movimentos sociais da cidade a Marcha da Insatisfação e conseguimos reunir mais de 200 pessoas no centro da Capital, denunciando nossa insatisfação com a cidade e com o rumo das eleições, com a perpetuação das forças reacionárias.

Agora em 2013, inicio o ano me envolvendo com a formação do novo partido político, a nova Rede pela Nova Política, liderada por Marina Silva. É minha esperança para a política no Brasil, da qual eu já havia desistido e estava investindo tão somente em ONGs e movimentos sociais.

Esqueci de falar sobre minha atuação política na faculdade. Na primeira e segunda fase fui representante de turma; na segunda fui membro da Comissão Pedagógica, que discutia o defasado currículo do curso; na terceira, fui Coordenador Local de Estágios e Vivências, o que me levou à Recife para o FEV, uma excelente experiência de vida; ano passado, fui a São Paulo no COBEM - Congresso Brasileiro de Educação Médica -, onde fui indicado para ser Vice-Representante Discente Regional (de SC e PR) para a Associação Brasileira de Educação Médica.

Quanto ao socialismo, em si, tudo começou em 2004, com o PCdoB, conforme falei. À medida que me afastei do partido, comecei a ir atrás sozinho de informações sobre o socialismo e me identifiquei com os ideais utópicos, pregador por Gracchus Babeuf, Charles Fourier e, mais recentemente, Liév Tolstói. Como também me envolvi com o vegetarianismo, estou profundamente alinhado aos ideais ecossocialistas, junto a Marina Silva.

Bom, creio que falei um pouco de tudo sobre minha história com a política. :)

domingo, 27 de janeiro de 2013

O Crime e a Sociedade

Amigos, em meio a tanto denuncismo que rola no facebook, eu gostaria de fazer o relato de um roubo que me ocorreu hoje e refletir um pouco sobre a Polícia Militar e a Segurança Pública. Desculpa se ficou grande, mas creio que a leitura será interessante e reflexiva.

O ocorrido:
Hoje, às 19h20, na rua Bocaiúva, saindo do trabalho, fui roubado a caminho da minha casa. O indivíduo levou meu celular e dinheiro. Tentei evitar ser roubado, mas não foi possível por estar com um amigo na hora - o qual ficou nervoso e não soube reagir -, fiquei com medo de o ocorrido tomar proporções maiores e colocar em risco eu e ele.
Logo após o roubo, fui ao meu prédio, entrei em contato com a Central Telefônica da Polícia - 190 - e passei os dados do rapaz. Em seguida, fui à Unidade Móvel da PM, que fica na Beira Mar, e comuniquei pessoalmente o ocorrido. Eu estava indo atravessar a rua para retornar à minha casa quando o policial me chamou. Haviam encontrado o ladrão.
Trouxeram-no até a Unidade Móvel e eu o reconheci. Por sorte, estava com meus pertences.
Fomos encaminhados à DP Civil no centro e lá prestamos depoimentos e meus pertences foram devolvidos. O ladrão estava muito incomodado, eu evitei o olhar dele. No entanto, quando passei por ele, falou assim "Poxa, cara... não precisava fazer B.O." - creio que, fantasiado em sua mente, ele se achava meu "camarada", por ter, durante o roubo, não ter pego minha carteira - mas só o dinheiro -, e nem meu chip - só o celular. Foi o que ele falou na hora do roubo.
Isso motivou este post.

Algumas considerações:
Em primeiro lugar, agradeço a D-us por ele olhar por mim, proteger meu corpo e também os bens que consegui pelo suor do trabalho, meu e de minha família.
Em segundo, presto meu agradecimento à Polícia Militar e Civil, que cumpriu seu dever com eficiência e profissionalismo. Deram a mim toda a atenção, ajudaram-me, aconselharam-me. Agradeço sinceramente
Em terceiro, agradeço ao meu amigo que esteve presente em todo o processo de aguardar o ladrão ser pego, identificá-lo, ir à DP, etc.
Quarto, conforme falei, minha vontade na hora era de reagir. Estávamos mano a mano - ele, embora tentasse parecer armado, visivelmente não portava nada. No entanto, preservei o meu amigo, que estava nervoso e poderia reagir de uma forma negativa, causando ainda mais problemas e piorando a situação. Em 2011, fui assaltado e evitei a perda do meu celular - o mesmo, por sinal - reagindo ao assalto, mas fiquei com bastantes escoriações pelo corpo - guardo algumas pequenas cicatrizes ainda - e o assaltante não foi localizado.

Reflexões sobre o ocorrido:
O mesmo motivo que me fez reagir a um assalto em 2011 é o de agora, que me fez encaminhar o ladrão à prisão: em um Estado de Direito, democrático, NÃO PODEMOS SER IMPUNES. Não abro mão de meus direitos e de minha liberdade. Não abaixo minha cabeça ao crime e à desordem. Se arrisco minha vida, faço com a certeza de que posso estar salvando muitas outras e, inclusive, a do próprio criminoso. Não é meu celular, não é meu dinheiro, não são meus bens materiais. Mas a perpetuação do crime, que leva medo às famílias honestas e de bem, pune o trabalhador e que em nada muda o sistema - real culpado pelo criminoso estar preso nesse círculo do crime.
Pensa alguém, agora, que eu não sinto pelo criminoso? Claro, não nego meu "eu" sadista que pensa "HAHAHA, ele foi preso", não. Mas acima disso está meu "eu" solidário, que questiona "por que ele fez isso?" "será que posso ajudá-lo?". Mas eu, sozinho, numa situação como aquela, em nada poderia ajudar! Oras, que faria? Perguntaria a ele isso que me questionei? Colocaria a mão no ombro dele e falaria sobre meu desejo de coisas boas em sua vida? Isso nada mudaria! Mesmo assim, minha única certeza é: não fazer nada é não fazer nada! Perco meu celular, meu dinheiro, ele continua roubando, continua no círculo do crime e da droga, eu perco minha liberdade, me afundo em medo e - no fim - todos sofremos.
Sei que o sistema penal e penitenciário que dispomos é falho. Mas, se eu não denunciar, ele continuará sendo falho e ninguém saberá disso! Se o criminoso vai sofrer por isso? Vai, eu sei! Mas ele errou, independente das circunstâncias, ele errou! E se o Estado não é correto e eficaz em corrigi-lo, POR ISSO ESTOU AQUI ESCREVENDO ESTE TEXTO!
Eu estaria errado se simplesmente permitisse que o criminoso fosse preso e fechasse meus olhos a tudo isso que estou questionando e denunciando. Não.
Não fecho meus olhos para o crime e nem bato no peito a hipocrisia do não-materialismo. Eu quero uma sociedade melhor.
Quem me conhece, sabe: eu não me calo perante as injustiças. Posso até estar errado em minhas ideias, mas eu denuncio o que me parece injusto. Trabalho para que seja mudado. E busco sempre ter mente aberta para mudar quando eu estou enganado.
Por isso, também não fecho meus olhos para a raiz do crime: a inequidade, inerente à sociedade capitalista em que vivemos. Poucos são os que roubam e matam por satisfação de seus desejos íntimos. A maioria faz por estar sozinha e abandonada por uma sociedade que a acusa de "drogada", "malandra", "vagabunda" - enquanto a ela fornece a droga, impede o acesso à educação e ao emprego, e lhe dá como único sustento da "sobrevida" o crime.
Meu desejo real a esse jovem de 19 anos, usuário de drogas, que me roubou no dia de hoje: que ele seja tratado pela dependência de entorpecentes; que ele tenha um círculo de amigos e entes queridos forte; que ele possa ter acesso à educação de qualidade, para conseguir um bom emprego e ter consciência crítica sobre sua situação; e, por fim, que ele possa ser feliz. Desejo tudo isso, e que ele tenha tanto espaço na sociedade quanto eu tive para que possa conseguir seus bens e dinheiro pelo suor, e não pelo roubo e/ou agressão ao seu semelhante.
O que farei por isso? Continuarei defendendo e trabalhando pela NÃO-IMPUNIDADE, pelo SOCIALISMO e JUSTIÇA SOCIAL, e por uma vida justa, honesta e ética, pela qual me pauto.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Lapsos de Um Coração

"O amor é como uma queimadura. Você se queima e após um longo tempo sendo tratada, a dor passa. Mas a cicatriz fica. Você a odeia, sente repulsa ao ponto de que a esconde de tudo e de todos, até de si próprio. Até que chega alguém que vai te dizer que apesar de todas as suas cicatrizes, você ainda é lindo. Essa pessoa vai te queimar mais inúmeras vezes, mas ao mesmo passo que ela o faz, encontra um jeito de transformar a queimadura em cicatriz para poder chamá-lo de lindo mais uma vez. E quando você sentir que pode suportar isso, tenha a certeza de que é amor. Você vai fazer isso com essa pessoa também, mas a relação perdura. E sabe porque aguentamos tudo isso? Porque vale à pena. Vale à pena amar, se deixar amar, e, se for realmente como digo, vale à pena se queimar ." "Aquela coisa que te pega de surpresa e te arrasta pra um lugar que você nunca pensou existir. Você grita, berra, arranha o chão para não ser levado, mas quando chega no destino nunca mais quer voltar. Sente-se inerte num mundo onde nada parece fazer sentido, em que você procura cada vez mais encontrar uma razão para o que está acontecendo e de repente se dá conta de que não há razão nenhuma. É nesse momento que você para de lutar contra a força opressora e começa a caminhar ao lado dela, sem ao menos saber aonde ela irá te levar, mas tendo a certeza de que é do lado dela que você quer passar o resto da sua vida, por mais sem sentido que possa parecer." Matheus Agnoletto

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Desejos

Eu sei que tu queres respostas, sei que mereces ouvir algo, nem que seja uma mentira. Sei que o silêncio é desleal. Mas não consigo fazer diferente. Não consigo admitir que eu curto muito ficar contigo, que por mais que eu grite o contrário, adoro teus olhos, tua pele, teu abraço, teu carinho. Não consigo admitir que é triste para mim saber que não vou poder te ter comigo, mesmo querendo MUITO. E ao mesmo tempo não entendo... somos tão diferentes, temos um ritmo de vida, um estilo de vida completamente diferente e eu não entendo por que tocas tanto meu coração. Como que vou admitir isso tudo? Não tenho coragem. Fico no silêncio, pois meu orgulho não me permite falar esse tipo de coisa. Eu estou sufocado. Desculpe, mas te quero.
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