domingo, 16 de dezembro de 2012
Lapsos de Um Coração
"O amor é como uma queimadura. Você se queima e após um longo tempo sendo tratada, a dor passa. Mas a cicatriz fica. Você a odeia, sente repulsa ao ponto de que a esconde de tudo e de todos, até de si próprio. Até que chega alguém que vai te dizer que apesar de todas as suas cicatrizes, você ainda é lindo. Essa pessoa vai te queimar mais inúmeras vezes, mas ao mesmo passo que ela o faz, encontra um jeito de transformar a queimadura em cicatriz para poder chamá-lo de lindo mais uma vez. E quando você sentir que pode suportar isso, tenha a certeza de que é amor. Você vai fazer isso com essa pessoa também, mas a relação perdura. E sabe porque aguentamos tudo isso? Porque vale à pena. Vale à pena amar, se deixar amar, e, se for realmente como digo, vale à pena se queimar ." "Aquela coisa que te pega de surpresa e te arrasta pra um lugar que você nunca pensou existir. Você grita, berra, arranha o chão para não ser levado, mas quando chega no destino nunca mais quer voltar. Sente-se inerte num mundo onde nada parece fazer sentido, em que você procura cada vez mais encontrar uma razão para o que está acontecendo e de repente se dá conta de que não há razão nenhuma. É nesse momento que você para de lutar contra a força opressora e começa a caminhar ao lado dela, sem ao menos saber aonde ela irá te levar, mas tendo a certeza de que é do lado dela que você quer passar o resto da sua vida, por mais sem sentido que possa parecer." Matheus Agnoletto
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Desejos
Eu sei que tu queres respostas, sei que mereces ouvir algo, nem que seja uma mentira. Sei que o silêncio é desleal.
Mas não consigo fazer diferente. Não consigo admitir que eu curto muito ficar contigo, que por mais que eu grite o contrário, adoro teus olhos, tua pele, teu abraço, teu carinho. Não consigo admitir que é triste para mim saber que não vou poder te ter comigo, mesmo querendo MUITO. E ao mesmo tempo não entendo... somos tão diferentes, temos um ritmo de vida, um estilo de vida completamente diferente e eu não entendo por que tocas tanto meu coração. Como que vou admitir isso tudo? Não tenho coragem. Fico no silêncio, pois meu orgulho não me permite falar esse tipo de coisa.
Eu estou sufocado. Desculpe, mas te quero.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Sobre todos nós
"Já se disse tudo sobre os guarani-kaiowá. Nada parece comover a "civilização brasileira" de que o extermínio desse povo é um crime imperdoável e o sangue de suas crianças recai sobre todos nós.
Dói na alma ler a carta da comunidade Pyelito kue-Mbarakay, de Iguatemi (MS), divulgada depois que a Justiça de Naviraí (MS) determinou sua retirada da beira de um rio.
É um daqueles documentos que testemunham momentos graves na formação do país, como os relatos de Canudos e do Contestado, da Revolta da Chibata, da escravidão, da ditadura, dos incontáveis massacres e chacinas que tingem o chão de nossa pátria. Ouçamos a voz guarani-kaiowá:
"(...) avaliamos a nossa situação e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos acampados a 50 metros do rio Hovy, onde já ocorreram quatro mortes, sendo que dois morreram por meio de suicídio e dois em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas. Moramos na margem deste rio Hovy há mais de um ano, estamos sem assistência nenhuma, isolados, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Tudo isso passamos dia a dia para recuperar o nosso território antigo Pyelito kue-Mbarakay".
Onde estão os poderes da República, o sistema político, as grandes empresas que se dizem salvadoras da economia nacional? Onde está a opinião pública? Onde está o brasileiro cordial? Escutemos:
" (...) ali estão o cemitérios de todos nossos antepassados. Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao governo e à Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação/extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais".
Há um suicídio a cada seis dias entre os guarani-kaiowá. Quase 50 são assassinados por ano. Agressões incontáveis. Falta ética, respeito à vida e responsabilidade para com os mais frágeis.
Não faltam anestesiadores de consciência sempre dispostos a minimizar a gravidade da situação, ao dizer que os índios estão blefando, que as "ONGs estrangeiras" estão por trás, conspirando contra o Brasil.
A pergunta é: até quando assistiremos o genocídio sem fazer nada? Cada um sabe se é um destinatário da pergunta e em que medida participa da resposta."
Autoria de Marina Silva. Publicado na Folha de São Paulo no dia de hoje.
Dói na alma ler a carta da comunidade Pyelito kue-Mbarakay, de Iguatemi (MS), divulgada depois que a Justiça de Naviraí (MS) determinou sua retirada da beira de um rio.
É um daqueles documentos que testemunham momentos graves na formação do país, como os relatos de Canudos e do Contestado, da Revolta da Chibata, da escravidão, da ditadura, dos incontáveis massacres e chacinas que tingem o chão de nossa pátria. Ouçamos a voz guarani-kaiowá:
"(...) avaliamos a nossa situação e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos acampados a 50 metros do rio Hovy, onde já ocorreram quatro mortes, sendo que dois morreram por meio de suicídio e dois em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas. Moramos na margem deste rio Hovy há mais de um ano, estamos sem assistência nenhuma, isolados, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Tudo isso passamos dia a dia para recuperar o nosso território antigo Pyelito kue-Mbarakay".
Onde estão os poderes da República, o sistema político, as grandes empresas que se dizem salvadoras da economia nacional? Onde está a opinião pública? Onde está o brasileiro cordial? Escutemos:
" (...) ali estão o cemitérios de todos nossos antepassados. Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao governo e à Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação/extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais".
Há um suicídio a cada seis dias entre os guarani-kaiowá. Quase 50 são assassinados por ano. Agressões incontáveis. Falta ética, respeito à vida e responsabilidade para com os mais frágeis.
Não faltam anestesiadores de consciência sempre dispostos a minimizar a gravidade da situação, ao dizer que os índios estão blefando, que as "ONGs estrangeiras" estão por trás, conspirando contra o Brasil.
A pergunta é: até quando assistiremos o genocídio sem fazer nada? Cada um sabe se é um destinatário da pergunta e em que medida participa da resposta."
Autoria de Marina Silva. Publicado na Folha de São Paulo no dia de hoje.
E Eis
"E eis que em breve nos separaremos
E a verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia<br />
Eu agora sei, eu sou só
Eu e minha liberdade que não sei usar
Mas, eu assumo a minha solidão
Sou só, e tenho que viver uma certa glória íntima e silenciosa
Guardo teu nome em segredo
Preciso de segredos para viver
E eis que depois de uma tarde de quem sou eu
E de acordar a uma hora da madrugada em desespero
Eis que as três horas da madrugada, acordei e me encontrei
Fui ao encontro de mim, calma, alegre, plenitude sem fulminação
Simplesmente eu sou eu, e você é você
É lindo, é vasto, vai durar
Eu não sei muito bem o que vou fazer em seguida
Mas, por enquanto, olha pra mim e me ama
Não, tu olhas pra ti e te amas
É o que está certo
Eu sou antes, eu sou quase, eu sou nunca
E tudo isso ganhei ao deixar de te amar
Escuta! Eu te deixo ser… Deixa-me ser!"
Clarice Lispector
E a verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia<br />
Eu agora sei, eu sou só
Eu e minha liberdade que não sei usar
Mas, eu assumo a minha solidão
Sou só, e tenho que viver uma certa glória íntima e silenciosa
Guardo teu nome em segredo
Preciso de segredos para viver
E eis que depois de uma tarde de quem sou eu
E de acordar a uma hora da madrugada em desespero
Eis que as três horas da madrugada, acordei e me encontrei
Fui ao encontro de mim, calma, alegre, plenitude sem fulminação
Simplesmente eu sou eu, e você é você
É lindo, é vasto, vai durar
Eu não sei muito bem o que vou fazer em seguida
Mas, por enquanto, olha pra mim e me ama
Não, tu olhas pra ti e te amas
É o que está certo
Eu sou antes, eu sou quase, eu sou nunca
E tudo isso ganhei ao deixar de te amar
Escuta! Eu te deixo ser… Deixa-me ser!"
Clarice Lispector
Osho
"O que é o amor? Não sei.
Tudo que sei é que experimentar o amor é uma das mais belas experiências da vida.
Para vivenciarmos o verdadeiro amor, quatro passos devem ser celebrados.
O primeiro passo é: esteja aqui e agora - porque o amor só é possível aqui e agora.
O segundo passo em direção ao amor é libertar-se dos sentimentos negativos...
Porque muitas pessoas amam, mas seu amor está contaminado por sentimentos como ciúme, possessividade, medo.
O terceiro: compartilhe
O amor é uma fragrância a ser compartilhada, irradiada.
O amor não pode ser acumulado, ele só pode ser compartilhado.
E o quarto passo: Fique vazio de ego. Somente quando você está vazio de você, há o amor.
Quando você está cheio de ego não é possível amar.
O amor e o ego não podem existir juntos.
É impossível o amor e o ego estarem juntos porque amor e Deus são sinônimos.
Somente uma pessoa que aprendeu a amar é madura. Uma pessoa madura não "cai de amor", ela se "eleva no amor".
E quando duas pessoas maduras estão se amando, um dos maiores paradoxos da vida acontece.
Elas estão juntas, são quase um, mas esta unidade não destrói a individualidade.
Na verdade realça.
Duas pessoas maduras em verdadeiro amor ajudam-se mutuamente a se tornarem mais livres, mais plenas, mais completas." Osho
Norman Cousins
"O que aprendi é que a tragédia da vida não é a morte, mas o que vai morrendo dentro de nós, enquanto vivemos."
The Healing Heart, Norman Cousins
The Healing Heart, Norman Cousins
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